O que dizer sobre essa festa profana que já não foi dita?
É quando o seu EU mais secreto é libertado, alguns saem do anonimato, outros atrás de desejos ocultos, alguns saem do sexy shopping, e outros aproveitam e saem do armário mesmo.
Nessa festa profana você pode ser quem você quiser, pobres e ricos fazem dela uma espécie de “parceria”. O pobre entra com a animação e a cultura, o rico lhe dá o direito de dividir o mesmo espaço com ele. Então, da lhe socialite e gringo subindo favela (com segurança, claro), jurando amor à escola, abraçando os compositores e músicos suados, como se fossem melhores amigos de convívio, ou seja, os cães, modelos, atrizes, disputa, quer dizer, disputam os maiores cargos da realeza chamado carnaval. São cantados vários sambas, desde os mais modernos aos mais tradicionais, sambas de compositores que, em sua maioria não sabem o significado de arrecadação de direitos autorais (olha que naquele bolo de ricos ali deve ter dono de editora, de gravadora, dono do ecade). Não quero ser moralista, longe de mim, pois o carnaval continua aí, na boca do sambista (alguns sem dentes), no passo da passista (treinada pelo seu personal samba), na ginga e no molejo da mulata (que mora na Suíça), e no mais importante: na cerveja do patrocinador. Agora me deixe ir que estou atrasada pro ensaio da minha escola.

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